O meio jurídico no Ceará tem visto com maus olhos o acirramento de ânimos no Supremo Tribunal Federal (STF) e alerta que é preciso vigiar para que o plenário não se transforme de vez em ringue – principalmente a partir da próxima semana, quando os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski serão empossados na presidência e vice-presidência da Corte.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE), Valdetário Monteiro, e o presidente da Associação Cearense dos Magistrados (ACM), Ricardo Barreto, criticaram os bate-bocas que ultrapassam o debate na esfera jurídica e invadem o campo pessoal. Eles descartaram riscos para o equilíbrio dos futuros julgamentos na Corte, mas atentaram para os efeitos no clima de trabalho e na imagem do Tribunal. “O julgamento (do mensalão) tem revelado o aprofundamento de uma animosidade pessoal entre ministros. Concorre para esse clima a complexidade da causa, o intenso interesse que essa desperta sobre a sociedade. A estes fatores somam-se personalidades fortes, às vezes indomáveis”, avaliou Barreto.
Monteiro chegou a destacar que, até certo ponto, o embate é salutar para a democracia, já que as divergências agora estão expostas “sem cortes”, para toda a sociedade. “Louvamos essa divergência de ideias. O que não pode haver, o que é depreciativo, é a utilização de problemas pessoais como forma de denegrir parte a parte”, concluiu. (HR)

