Em Limoeiro do Norte, a 203 quilômetros de Fortaleza, foi desenvolvido um projeto de combate à corrupção eleitoral que rendeu congratulações da instância maior da Justiça Eleitoral brasileira. No início do mês, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, telefonou para a juíza cearense Luciana Teixeira de Souza, de Limoeiro, parabenizando-a pelo projeto "Essa família não vende o voto", idealizado pela magistrada e implantado também em outras zonas eleitorais do Ceará por iniciativa da desembargadora do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) Gisela Nunes da Costa.
A desembargadora destacou a importância da campanha e os resultados obtidos, definindo-a como "brilhante". O projeto "Essa família não vende o voto", que também recebeu elogios da presidente do TRE, desembargadora Huguete Braquehais, foi criado para ser uma ferramenta da campanha Eleições Limpas, promovida em âmbito nacional pelo TSE.
Segundo Luciana, o objetivo inicial era desenvolver um método eficaz para conscientizar a população de Limoeiro do Norte, principalmente da zona rural, quanto às irregularidades que possivelmente poderiam ser cometidas pelos candidatos a prefeito e vereador. "A gente queria mostrar para a população o possível real interesse de um candidato ao visitar uma família ou comunidade", explicou a juíza. Juntamente com uma equipe de servidores, ela criou um cartaz para caracterizar a campanha e o fixou em diversas residências.
Engajamento
Uma novidade no projeto que mereceu as congratulações do TSE é que a própria juíza se integrou à campanha, passando a visitar a casa das famílias na zona rural de Limoeiro do Norte. "Eu me baseei na conduta dos candidatos para desenvolver a mensagem que iria transmitir às famílias. Eu queria transmitir a mesma mensagem, mas no sentido contrário, no sentido de não vender o voto", indicou a juíza, citando um dos crimes eleitorais mais comuns no Interior.
Para Luciana, o resultado mais significativo da campanha foi perceber que aquelas comunidades ou famílias visitadas pela campanha passaram a denunciar tentativas de compra de voto, além de outras irregularidades eleitorais. "Depois que a gente visitava uma comunidade, logo passava a receber denúncias de irregularidades vindas daquela localidade. Quando o candidato mal intencionado chegava lá, a família já estava prevenida e esclarecida", contou a juíza. "Um projeto de conscientização requer tempo. Nós fomos bem recebidos pela população e já é um passo importante".

