Pela primeira vez, a direção do Fórum Autran Nunes, da Justiça do Trabalho, vai ser empreendida por um juiz de primeira instância. Ontem pela manhã, tomou posse como diretor o juiz titular da 1ª Vara do Trabalho, da jurisdição do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 7ª Região, Judicael Sudário de Pinho, para uma gestão de dois anos.
A função de diretor do Fórum era sempre exercida por um desembargador. No entanto, um ato da presidência do TRT, baseado na resolução nº 229/2008, instituiu um juiz de primeira instância para o cargo de direção. Para Judicael Sudário, há 15 anos na magistratura, o desafio da nova função é atender e encaminhar todas as demandas relativas ao bom funcionamento do Fórum. Ele explica que não cabe ao diretor resolver demandas jurisdicionais junto aos outros juízes trabalhistas. No entanto, ressaltou que estará “sempre aberto para ouvir e atender a todos e resolver as demandas da forma como for melhor e possível”.

Antes mesmo de assumir o cargo, Sudário já se reuniu com advogados da área trabalhista que atuam no Fórum para ouvir a classe sobre questões relativas ao funcionamento do órgão e das possíveis intervenções estruturais que podem ser realizadas no local.

A escolha do magistrado para a direção do Fórum, conforme o presidente do TRT da 7ª Região, desembargador federal José Antônio Parente, significa a descentralização do controle administrativo com intenção de facilitar o encaminhamento das demandas. “Trata-se de uma demanda histórica dos magistrados de primeiro grau”, disse o desembargador.

Parente apontou como desafios para o novo diretor, que vai acumular as funções de juiz da 1ª Vara com a administração do Fórum, o combate à figura do “laçador” – advogado ou encarregado que fica captando clientes nas dependências do Fórum- e também a diminuição de lides simuladas. “Diariamente, recebemos cerca de 30 reclamações a termo, enquanto que, em São Paulo, a média é de sete por dia”.

O juiz do Trabalho Judicael Sudário de Pinho é mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Fortaleza (Unifor); foi promotor de Justiça e procurador geral do Estado e coordenador do Curso de Direito da Unifor.