A Associação Cearense de Magistrados (ACM) continua com o projeto Magistrado em Destaque, que valoriza a trajetória dos membros da diretoria. Esta edição apresenta o juiz Wallton Pereira de Souza Paiva, cuja carreira na magistratura cearense é pautada pelo rigor técnico, sensibilidade humana e responsabilidade social.

Antes de ingressar na magistratura, Wallton Paiva atuava como professor com mestrado na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), em Mossoró. Após a conclusão do curso de Direito, circunstâncias no ambiente acadêmico o motivaram a buscar novos caminhos por meio dos concursos públicos. A experiência inicial com o concurso para a magistratura federal despertou o prazer pelo estudo e pela preparação técnica, percebendo na magistratura um espaço de realização profissional. Após aprovações, passou a atuar no Ceará, onde afirma exercer a profissão com satisfação e pertencimento.

Ao longo da carreira, alguns casos marcaram profundamente sua trajetória. Um deles ocorreu no início de sua atuação judicial, em um processo de estupro de vulnerável que envolvia um relacionamento consentido entre um jovem de 18 anos e uma adolescente de 12, com ciência e apoio familiar. Apesar das peculiaridades do caso, o rigor da legislação vigente à época impôs uma condenação severa. “Foi uma decisão correta perante a norma, mas que pareceu injusta diante da realidade apresentada”, disse o juiz.

Em outro momento, na comarca de Quixadá, o magistrado vivenciou uma experiência transformadora ao acompanhar a situação de uma criança que morava em um abrigo. “Em uma visita, conversamos e pedi que ele confiasse em mim, prometendo que encontraria uma família para ele. Ele perguntou: “Você promete, tio juiz?”. Eu prometi. Poucos meses depois, ele foi adotado. Esse caso mostrou a importância do envolvimento do juiz fora do processo. A partir daí, passei a ter um contato direto com as crianças acolhidas, priorizando a escuta “, contou.

Ao refletir sobre o exercício da jurisdição, Wallton Paiva destaca a necessidade de equilibrar o rigor técnico com a sensibilidade humana. Para ele, o formalismo excessivo não deve afastar o Judiciário da realidade das pessoas. “O formalismo não deve afastar o juiz da realidade das pessoas. Entendo a magistratura como uma função política, no sentido de exercer uma atividade estatal que aplica as leis do Estado. Lidamos com vidas e com a lei”, afirma.

Entre os principais aprendizados da magistratura, o juiz aponta a humildade como valor central. Para ele, o cargo não define o ser humano, e o exercício do poder decisório exige consciência, responsabilidade e respeito. “Sou um ser humano que trabalha como juiz e professor. Separar o cargo da pessoa é essencial para evitar a arrogância e garantir uma atuação equilibrada e justa. Todos merecem ser ouvidos com respeito. Essa compreensão humana é o que permite um raciocínio jurídico equilibrado e uma atuação social justa”, ressalta.

Projeto Magistrado em Destaque – Especial Diretoria

O projeto Magistrado em Destaque – Especial Diretoria é uma iniciativa da ACM que, um por mês, apresentará a trajetória de um integrante da diretoria da entidade. A proposta é valorizar magistradas e magistrados que, além do exercício da judicatura, contribuem ativamente para o fortalecimento institucional da Associação Cearense de Magistrados e da Justiça cearense.