Por Helga Medved Vice-presidente da Associação Cearense de Magistrados (ACM)
Falar sobre mulheres na ciência é reconhecer uma trajetória marcada por resistência, talento e contribuições fundamentais para o desenvolvimento da humanidade. Durante séculos, o acesso feminino aos espaços de produção científica foi limitado por barreiras estruturais e culturais. Ainda assim, vejo que mulheres desafiaram o tempo e o preconceito para ocupar laboratórios, universidades, tribunais e centros de pesquisa, transformando a ciência em todas as suas dimensões.
A ciência jurídica também é um campo de produção científica rigorosa, fundamentada em método, pesquisa, interpretação e construção teórica. O Direito evolui a partir da reflexão crítica, da análise de precedentes, da sistematização de normas e da constante atualização diante das transformações sociais. Nesse contexto, a presença feminina é não apenas legítima, mas essencial.
Mulheres ampliam perspectivas, qualificam o debate e contribuem para uma leitura mais plural da realidade. A formulação de políticas públicas, a interpretação constitucional e o aprimoramento das garantias fundamentais tornam-se mais completos quando diferentes experiências são consideradas.
No Ceará, destaco Auri Moura Costa, primeira juíza do Brasil, cuja trajetória simboliza a força intelectual feminina e sua contribuição para o pensamento jurídico e a formação de gerações. Histórias como a dela demonstram que o conhecimento produzido por mulheres transforma instituições e inspira novos caminhos.
Reconhecemos que ainda há desafios. A desigualdade de oportunidades, a falta de representação em espaços de liderança acadêmica e científica e a sobrecarga de responsabilidades sociais continuam sendo obstáculos reais. Por isso, valorizar as mulheres na ciência jurídica não é apenas celebrar conquistas, mas reafirmar o compromisso com equidade e incentivo à pesquisa, à docência e à produção intelectual feminina.
Promover mulheres na ciência é investir em inovação, diversidade e desenvolvimento. Na ciência jurídica, é assegurar que o Direito continue sendo instrumento de transformação social, construído com rigor técnico, sensibilidade e compromisso democrático.

