O convívio familiar é elemento fundamental na formação de crianças e adolescentes. Para muitas crianças, essa possibilidade só possível com a adoção, que deve ser feita de forma legal, por meio do Poder Judiciário. A reflexão foi destaque no lançamento da segunda fase da campanha Mude um Destino em Fortaleza, realizado no último dia 25 de setembro, na escola Superior da Magistratura do Estado do Ceará (Esmec).

O coordenador nacional da Campanha Mude um Destino e vice-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), juiz Francisco Oliveira Neto, defendeu que as crianças não podem ficar institucionalizadas, mas que devem ser repensados os critérios de adoção. "Abrigo ou maternidade não são lugares para adoção", disse referindo-se a chamada "adoção à brasileira", que não conta com os procedimentos legais. "Quem quer adotar uma criança deve buscar o Judiciário", orientou.

A iniciativa da AMB é desenvolvida no Estado pela Associação Cearense de Magistrados (ACM). "Estamos tentando sensibilizar a sociedade para que procure a adoção legal", afirmou o presidente da ACM, juiz Paulo Nogueira.

Na abertura da solenidade de lançamento, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), Fernando Luiz Ximenes Rocha, reforçou o empenho do judiciário cearense na adesão à iniciativa da AMB. Para ele, o Brasil tem uma dívida com as 80 mil crianças que vivem hoje em abrigos. "As pessoas devem mudar o destino de uma criança, mas mudar de forma correta", disse o desembargador concordando com a adoção legal como uma das soluções para o problema das crianças que vivem nas instituições de apoio espalhadas pelo País.

Estiveram presentes ao lançamento, defensores públicos, promotores de Justiça, técnicos da secretaria de Ação Social do Estado, coordenadores de abrigos, entre outros profissionais e interessados no tema. Durante o evento, foi distribuída a cartilha "Adoção passo a passo" e exibido o documentário "Se essa casa fosse minha…", que está disponível no site da ACM, na seção vídeos. Antes do lançamento, um café da manhã reuniu a imprensa local sobre o tema.

O presidente da AMB, juiz Mozart Valadares Pires, explicou o desenvolvimento do projeto, que teve a primeira fase lançada em 2007. O objetivo era despertar a sociedade para o problema das crianças que vivem em abrigos. Agora, o foco é alertar para a adoção legal como solução para essa questão. "Vamos discutir a questão da criança e do adolescente, em casa, na rua, no trabalho. Vamos nos tornar militantes desta causa", convidou ele.  

“A família é um direito fundamental da criança e do adolescente. Lugar de criança é na convivência familiar”, defendeu o coordenador da Campanha Mude um Destino no Ceará, juiz Francisco Suenon Bastos Mota, baseado na Convenção sobre os Direitos da Criança. Também coordenador das varas da Infância e Juventude do Estado, destacou a iniciativa como um grande incentivo aos magistrados da área. O presidente da Comissão Estadual Judiciária Internacional (Cejai-CE), desembargador Ernani Barreira Porto, afirmou que a magistratura deve assumir questões como estas.