A ética e a importância de se considerar a vida pregressa dos candidatos para as próximas eleições estarão em discussão amanhã, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A presidente do órgão, Huguette Braquehais, convidou os presidentes dos partidos com atuação no Ceará para reunião às 16 horas, na sala de sessões do TRE. A idéia é pedir atenção na escolha dos candidatos no sentido de não oferecer legenda para aqueles cujo passado possam comprometer sua atuação política ou a imagem do partido. "O que nos motivou (para solicitar a reunião) foi a necessidade de se ter candidatos que realmente possam representar bem o povo. A reclamação é geral neste sentido, de que os candidatos nem sempre são o que deveria ser apresentado ao povo e a gente tem que tomar parte nesta luta", justifica a desembargadora.
O presidente regional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), André Figueiredo, considera a iniciativa do TRE "brilhante", diz que vai participar da reunião e afirma que já existe uma orientação neste sentido. "Há uma orientação em nível nacional de que não seja concedida legenda a candidatos que tenham condenação em qualquer esfera, cível, criminal… Hoje, pelo menos no Ceará, temos o controle de todos os que são candidatos", informa.
Ilário Marques, presidente do PT no Ceará, também confirmou participação no encontro e diz que no caso petista existe uma resolução política que trata do assunto. "O candidato não deve ter nada em seu passado que comprometa a conduta ética do PT", detalha. Ele acrescenta que serão realizadas, entre abril e maio, 14 conferências eleitorais no Estado para tratar de assuntos relacionados ao comportamento dos candidatos na campanha, cuidados com a legislação eleitoral, prestação de contas e outros. "Além disso, tem o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) e a executiva estadual, que fazem o acompanhamento político destas questões", explica.
No PSDB, o presidente estadual Carlos Matos diz ainda não ter recebido o convite, mas também elogia a iniciativa. Segundo ele, o partido também adota algumas medidas para que os candidatos escolhidos sejam eticamente responsáveis. "Temos procurado sempre ter candidatos com a vida recomendável para os eleitores. Hoje existe não só o Conselho de Ética, mas um grupo do partido analisando todos os candidatos no Estado em nível de prefeito", diz. Ele informa ainda que o partido vai dar formação para os presidentes dos diretórios do ponto-de-vista moral e ético, mas também de proposta de conteúdo político e será realizado um grande encontro com todos os candidatos.
O deputado federal Eunício Oliveira, presidente regional do PMDB, que também garantiu presença na reunião, informa que o partido realiza seminários no Estado para discutir e orientar quem quer entrar na vida pública sobre os conceitos defendidos pelo PMDB, no campo da ética, da responsabilidade fiscal, entre outros. Ele afirma que a orientação do partido é de vetar a legenda se o candidato tiver algum tipo de condenação.
Já o ex-governador Lúcio Alcântara, presidente do PR, diz que ainda não recebeu o convite, mas que deve comparecer à reunião. Ele também elogia a iniciativa, mas observa que no final das contas quem define os candidatos são os diretórios municipais, não o regional. "Pode-se dar uma recomendação, uma orientação", resume. "Vejo que há um movimento da Justiça Eleitoral para tornar a lei mais rigorosa. Não basta recomendação, é preciso que haja um esforço no sentido de definir regras mais rígidas", defende.
Fonte: Jornal O Povo

